Britânico autista fica paraplégico após sofrer bullying

03 de setembro de 2014 – site da Terra

Joshua Davis tentava fugir dos agressores quando caiu de uma altura de 15 metros

jovem vítima de bullying por ser portador da Síndrome de Asperger – considerada uma forma funcional de autismo – ficou paraplégico após sofrer uma queda de 15 metros enquanto tentava escapar de seus agressores, em 17 de agosto, informou o Daily Mail.

Joshua Davis, de 18 anos, estava correndo do grupo quando caiu de uma ponte, quebrando a coluna em quatro locais diferentes. Ele e um colega tentaram escalar os suportes de metal da ponte, mas os agressores acertaram duas pedras no adolescente, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e sofresse a queda. O menino quebrou os dois braços e as duas pernas no acidente.

De acordo com a família, o adolescente vinha sendo alvo de bullying por um grupo de garotos há 5 anos. O padrasto Michael Morgan, de 35 anos, acusou a polícia de ter falhado, já que a família da vítima havia denunciado as agressões mais de 15 vezes.

O jovem havia sido vítima da mesma gangue anteriormente, após se recusar a lhes comprar bebida alcoólica. Na ocasião, a vítima tentou se proteger, mas foi preso. Depois disso, Joshua nunca mais tentou se defender.

O padrasto afirma que, por causa da sua condição, o enteado pode ser facilmente manipulado. “Ele foi forçado a evitar certas áreas, o que o tornou um prisioneiro em sua própria comunidade”, disse Morgan.

Joshua tinha acabado de se formar e começaria um curso de engenharia elétrica e construção esta semana.

O detetive David Peart confirmou que a polícia de South Wales respondeu a ataques em algumas ocasiões, entre abril de 2011 e agosto de 2014, e que eles foram devidamente investigados, mas negou a existência de evidências “que sugerem alguma ligação com o incidente ocorrido em 17 de agosto”.

Três adolescentes, dois de 15 anos e um de 16, foram detidos e permanecem sob custódia.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/britanico-autista-fica-paraplegico-apos-sofrer-bullying,3036f139fac38410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

 

Ser diferente é normal

Juca Kfouri

Uol – 12/12/2013

 
20131211-141258.jpg

20131211-141235.jpg

O Grupo Happy Down está lançando belíssimo calendário para 2014 com a criançada e seus ídolos.

Romário abre o calendário que tem Alexandre Pato em Janeiro, Paulo Henrique Ganso em Junho, Muricy Ramalho em Agosto, além de Roberto Rivellino, Mauro Silva, Adílio, Djalminha, Cafu etc.

Veja as expressões da criançada e não sorria se for capaz.

Mais informações e fotos você encontra em www.calendariohappydown.com.br

 

 

Centenário de Vinicius de Moraes

Este ano Vinicius de Moraes completaria 100 anos de vida e para homenagiá-lo a minha escola, Nabil Tacla, se organizou para representar as músicas do Cd Arca de Noé. Quem assistiu viu muitos patinhos, foquinhas, abelhinhas, leõezinhos, pinguins, peruzinhos… num verdadeiro show! Para isso, o semestre todo de preparação: aulas pedagógicas, ensaios, confecção de fantasias e material. Tudo muito lindo e caprichado!!

vinicius 1 vinicius 2 vinicius 3 vinicius 4 vinicius 5 vinicius 6 vinvicius 7 Exif_JPEG_422

De cima para baixo: 1. os leõezinhos, os patinhos e os pinguins (com máscaras de EVA); 2. os patinhos; 3. os peruzinhos; 4. painel das abelhinhas; 5.  painel representativo da Arca de Nóe, feito com papelão e pintado com guache, confeccionado pelas professoras de arte. A porta da arca é a porta da sala (ficou lindo!); 6. nossa T.O,  Fátima, com fantasia de abelha; 7. representação da música “A casa” com as fisioterapeutas Leyla e Carol; 8. representação de patos confeccionados com bexigas.

Faculdade em Conquista diploma a 1ª baiana com Down

Qui , 23/05/2013

fonte: Uol

Na pré-adolescência, Amanda Amaral Lopes tinha como um dos ídolos o jornalista  William Bonner. Foi também nessa época que ela descobriu  a paixão pelo texto escrito, e a poesia virou uma das  formas de  comunicação dela com o mundo.

Apesar  da ideia inicial de ser jornalista, “quis o destino”, como ela própria costuma dizer, que a biologia entrasse em sua vida. Aos poucos, ela entende que  as coisas não acontecem tão ao acaso assim. Portadora da síndrome de Down, Amanda será a primeira pessoa que possui o distúrbio genético a concluir um curso de nível superior na Bahia.

Moradora de Vitória da Conquista (a 509 km de Salvador), no sudoeste baiano, a jovem de 24 anos recebe, na noite desta quinta-feira, 23, o diploma de licenciatura em ciências biológicas, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), ao lado de mais 15 estudantes.

Na plateia, estarão, orgulhosas, a irmã mais velha, Ana Clara, e a mãe, Alba Regina, sua grande incentivadora.  “Sem minha mãe, eu não seria nada. Não teria chegado aonde cheguei”, ressalta Amanda, que perdeu o pai há cinco meses.

“Meu pai foi uma pessoa muito importante na minha vida e fará falta, ainda mais em um dia especial como esse”, emociona-se.

O começo –  Mesmo tendo nascido em Vitória da Conquista, os primeiros anos de vida de Amanda foram em Divisópolis, cidadezinha de Minas Gerais. Ainda criança, ela tinha que se deslocar, com os pais, duas vezes por semana para a Bahia, onde fazia tratamento com fonoaudióloga, fisioterapeuta e psicóloga, tudo por uma maior qualidade de vida. “Era complicado, mas a gente não deixava de vir”, relembra Alba Regina.

A alfabetização foi toda em escolas mineiras, onde enfrentou preconceitos. “Havia crianças que não queriam ficar na sala dela, e professor que dizia  não ter capacidade para dar aula”, afirma a mãe.

Na cidade baiana, a garota teve acolhimento. “Aqui, colocamos ela em uma escola que se valeu de todos os princípios da inclusão, comemora Alba, que chegou a ser professora da filha. “Mas não sem antes consultar se ela queria ser minha aluna”,  relembra, rindo. “Ela é muito geniosa”, completa.

Dificuldades – Ter a mãe como professora não era exatamente uma vantagem. “Deixei uma coisa muito clara: ‘Você não vai ter privilégios sobre as outras crianças’. Apesar de sua condição especial, nunca deixei de colocar as dificuldades da vida para ela”, relata a mãe.

A estratégia deu certo: a moça passou em dois vestibulares – biologia e jornalismo – quando ainda frequentava o 3º ano. Por ainda não ter concluído o ensino médio,  não pôde cursar. Posteriormente,  submeteu-se novamente ao processo de seleção e optou pela modalidade de ensino a distância, com uma aula presencial por semana.

“Minha dificuldade era a matemática. Mas tive colegas que me ajudaram bastante com a disciplina, e eu consegui”, celebra Amanda.

Atualmente, a maior barreira enfrentada  é o mercado de trabalho. “As oportunidades  para quem tem síndrome de Down são poucas. Apesar de as pessoas já conhecerem mais sobre o assunto, a gente ainda é muito discriminado”, lamenta ela, que está desempregada, mas nem pensa em desistir.

“Acho que sou uma grande vitoriosa por ter chegado até aqui. Agora, pretendo fazer uma pós-graduação em libras”, planeja, referindo-se à especialização que prepara profissionais para atuarem com deficientes auditivos.

Em São Paulo – É cada vez  mais comum o ingresso de portadores da síndrome de Down na vida acadêmica. Em 2012, o paulista João Vitor,  26 anos, colou grau no curso de licenciatura em educação física, em Curitiba, Paraná. Antes, em 2009, ele há havia concluído bacharelado na mesma área.

Também em 2012, Kallil Assis passou no vestibular de geografia, na Universidade Federal de Goiás. Gabriel Nogueira ingressou no curso de teatro da Universidade Federal de Pelotas, no  Rio Grande do Sul. No mesmo Estado, no município de Estrela, Andrieli Machado passou na faculdade de educação física da Univates, em Lajeado.

Distúrbio genético – A síndrome de Down (ou trissomia do cromossomo 21) é uma alteração genética causada por um erro na divisão  celular durante a divisão embrionária. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil possui hoje 300 mil pessoas com o distúrbio.

O autismo na era da indignação

LUIZ FERNANDO VIANNA
ESPECIAL PARA A FOLHA

17/03/2013 – 08h03

RESUMO

Pai de um menino com autismo, jornalista faz apanhado dos discursos sobre a síndrome, tanto no campo social e midiático como nos estudos científicos. Apesar de progressos pontuais, como lei aprovada em dezembro passado, a carência de políticas públicas no país e a desinformação alimentam o preconceito vigente.

No filme “As Chaves de Casa” (2003), de Gianni Amelio, Nicole (Charlotte Rampling) diz a Gianni (Kim Rossi Stuart) como percebeu que ele, embora negasse, era o pai de Paolo (Andrea Rossi), um adolescente com deficiências físicas e intelectuais: pela vergonha estampada em seu rosto. A vergonha é um sentimento que também não abandona quem tem um filho com autismo –eu tenho um, de 12 anos.

Se antigamente o deixaríamos trancado em casa, para não expô-lo (e não nos expormos) aos olhos da sociedade, hoje nos esforçamos para levá-lo à praia, ao cinema, às compras e, sobretudo, à escola. Mas a vergonha está, com frequência, na nossa cara, porque na cara dos outros à volta estão o desconhecimento, o desconforto, ou pior, o escárnio, o nojo.

Antes (e ao lado) da vergonha, vêm o luto e a culpa. Depois vem a indignação. Essa divisão esquemática não sobrevive ao crivo de nenhum psicólogo ou psiquiatra. Não tem problema: uma coisa que um pai de autista aprende logo é a se lixar para certos crivos. Assim como nossos filhos, temos um mundo bem particular.

13074730

Pintura da artista plástica Deborah Paiva para a edição de 17 de março da “Ilustríssima”

 

Quem ri de nós ou faz cara feia costuma ser alvo de iras avassaladoras. É o que anda acontecendo. Se vivemos numa era em que tudo é motivo de indignação (no Facebook, nas conversas pelo celular, nas mensagens anônimas nos sites de notícias, nos programas matinais de rádio, nas revistas semanais, às vezes até em praças públicas), também queremos, em nome dos filhos que tanto amamos, nosso quinhão de gritos. A ONU legitima os que poderemos dar no próximo 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

SÍNDROME

Um resumo sobre o autismo: ele se caracteriza por problemas na comunicação (mesmo as pessoas verbais têm fala atípica e dificuldade para expressar ideias e sentimentos); na socialização (possibilidade de mal-estar em meio aos outros, pouco contato visual e compreensão por vezes precária das conversas); e no comportamento (padrões repetitivos e movimentos estereotipados, como balançar o corpo). É uma síndrome, um conjunto de sintomas, não exatamente uma doença. No Brasil, não há qualquer estatística, mas pesquisas em outros países apontam para algo como um autista em cada cem habitantes. Você não sabe ou não quer saber, mas tem um aí ao seu lado.

Percebi que meu filho poderia estar nesse quadro da maneira que a maioria dos pais percebe: em função do atraso na fala. Aos dois anos, seu vocabulário era muito pequeno e pouco funcional. Depois de uma romaria por terapeutas, processo sofrido e também usual, o diagnóstico foi fechado quando ele contava quatro anos.

Por vício de repórter, que costuma encarar missão dada como missão cumprida, fui apurar o que era necessário fazer para, digamos, resolver a questão. Descobri que o buraco era tremendamente profundo. E que a questão nunca se resolve, é para sempre. Ao menos não fiquei patinando no luto, que é aterrador. O diagnóstico significa o desmoronamento das habituais fantasias acerca de filhos e um xeque-mate na própria vida. Do luto à luta leva tempo.

Há dois meses, em seu blog no site da Folha (assimcomovo ce.blogfolha.uol.com.br), o jornalista Jairo Marques chamou os autistas de “povão tchubirube”, entre outras brincadeiras.

Centenas de pais protestaram junto ao jornal e nas redes sociais. Não vou dizer que gostei dos termos, mas, talvez por conhecer Jairo e saber que ele jamais teria um gesto preconceituoso, não me incomodei. Embora compreensível, a reação foi exagerada.

É diferente do quadro “Casa dos Autistas”, que a MTV apresentou em 2011, com Marcelo Adnet e outros fazendo –com um alcance, multiplicado pelas sucessivas postagens do vídeo na internet, muito maior do que o de um jornal–, a propaganda do bullying, do escárnio. Participei do movimento que levou a emissora, mesmo com relutância, a se retratar. Jairo riu, não escarneceu. E humor que anda na linha não é humor. Mas humor que agride quem não pode se defender tampouco o é.

Passamos por algo muito pior no final de 2012. Em 14 de dezembro, Adam Lanza, de 20 anos, matou 20 crianças e seis mulheres numa escola da cidade de Newtown, em Connecticut, nos Estados Unidos. Antes, matara a própria mãe em casa. E, depois de dar por concluído o massacre, atirou em si mesmo.

Seu irmão Ryan disse que Adam era “meio autista”. A frase correu mundo, esteve em primeiras páginas e despertou nos meios de comunicação um interesse por investigar as relações entre autismo e matanças em série. Os resultados ficaram entre a frustração das pautas, por inexistência de tais relações, e a disseminação do preconceito, por ignorância de quem resolveu tratar do assunto.

Dois dias após a chacina, o “Domingão do Faustão”, programa da Globo cujo repertório de atrações já é habitualmente nefasto, dedicou longos minutos a uma entrevista de seu apresentador com uma desastrada psicóloga que, mesmo sem desejar, conseguiu misturar Síndrome de Asperger (forma branda de autismo que era, acredita-se, um dos diagnósticos de Lanza) com psicopatia. A indignação dos pais, preocupados com mais esse estigma sobre seus filhos, virou uma onda que desaguou em outras reportagens, agora mostrando o absurdo da mistura.

A emissora promete tratar do assunto na próxima novela das 21h. Aguardamos com atenção e esperançosos, pois pode ser uma ótima forma de divulgação e esclarecimento.

LEI BERENICE

Foi num gesto contra o preconceito e o isolamento que a presidente Dilma Rousseff sancionou, em 27 de dezembro do ano passado, a lei nº 12.764/12, conhecida como Lei Berenice Piana, em homenagem à mãe de Itaboraí (RJ) que tanto batalhou pelo projeto que pode beneficiar seu filho e milhares de outros.

A nova lei dá direito a atendimento especializado e obriga o Estado e as entidades privadas a garantir o acesso à educação e ao mercado de trabalho, dentre outros direitos. Escolas e planos privados de saúde não poderão rejeitar pessoas com autismo, e estas terão como reivindicar prioridade no atendimento. O gestor escolar que recusar a matrícula de um aluno com deficiência pode receber multa de 3 a 20 salários mínimos.

Os pais e profissionais que defendem o ensino especial (por acharem que os alunos aprendem mais assim e ficam protegidos de bullying, argumentos sérios que devem sempre ser levados em conta) vêm se queixando de uma desvalorização dos trabalhos voltados diretamente para autistas. Mas a redação da lei não impede que as escolas especiais continuem a existir. O que não tem havido é incentivo público a essa ala da educação, opção que precisa continuar a ser debatida.

Mais urgente é a criação de uma política pública para o autismo. O Estado brasileiro praticamente ignora o assunto. E o passo inicial é simples: propagar pelo país a experiência da Casa da Esperança, de Fortaleza, referência internacional em atendimento a autistas. O que vemos, no entanto, é a casa lutando para não fechar as portas, pois a prefeitura da capital cearense retarda o repasse das verbas do SUS. A maioria dos autistas não vota, então não interessa aos donos do poder.

E quem somos esses agora indignados, os pais? Por muito tempo, fomos os vilões responsáveis pelo autismo dos nossos filhos.

A síndrome começou a ser descrita na década de 1940 pelo norte-americano Leo Kanner (1894-1981) e pelo austríaco Hans Asperger (1906-80), cada qual em seu continente. Não havia, naquela época, condições de pesquisa que permitissem a médicos e psicólogos saber o que sabemos hoje: o autismo é fundamentalmente genético, embora, ao contrário da síndrome de Down, ainda não seja possível isolar os genes causadores, pois são incontáveis, e seus funcionamentos variam muito de acordo com a combinação entre eles.

Resulta que o chamado “espectro autista” é amplo: dos casos severos, com comprometimentos absolutos, aos de alto funcionamento, que podem desenvolver sofisticadíssimos softwares no Vale do Silício. E há os savant, aqueles que têm facilidade extrema para alguma atividade específica, como a matemática para Kim Peek, o americano que inspirou o filme “Rain Man” –e que tinha enormes prejuízos em outros campos. Meu filho está no TID-SOE (Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem Outra Especificação), a larga faixa entre os extremos.

FRIEZA

A psicanálise assumiu, já em meados do século passado, a hegemonia nas interpretações sobre o autismo. E, então, como não poderia deixar de ser, a culpa sobrou para os pais. Mais especialmente, para as mães, cuja suposta frieza causaria o problema.

Bruno Bettelheim (1903-90), psicólogo norte-americano nascido na Áustria, cunhou a expressão “mãe geladeira”. E chamou os autistas de “fortaleza vazia”. As duas imagens, temos certeza hoje, são falsas e estúpidas. Ele e seus seguidores defendiam que os filhos fossem afastados das mães para que se cogitasse alguma evolução. O mal que Bettelheim fez a gerações de pais jamais será sanado.

Parece haver um lugar, no entanto, em que suas ideias continuam sendo respeitadas e a psicanálise permanece hegemônica quando o assunto é autismo. Esse lugar é a França.

Ao menos, é o que tenta provar Sophie Robert nos 51 minutos de seu filme “Le Mur” (“O Muro”). Concluído em 2011, o documentário continua sofrendo fortes críticas de psicanalistas franceses, e sua exibição em cinemas e na TV foi vetada, mas é facilmente encontrado –e muito acessado– no YouTube. Três dos psicanalistas entrevistados estão processando a diretora, alegando que tiveram suas falas deturpadas.

É mais correto supor que a edição foi capciosa, selecionando o que de pior eles devem ter dito. Sophie Robert não demonstra, nas conversas, a agressividade de um Michael Moore, que nem sequer simula equilíbrio na feitura de seus documentários, mas não contemporizou na montagem dos depoimentos. Denuncista, o filme é uma colagem de declarações assustadoras, feitas por discípulos tardios de Bettelheim que, embora digam atender autistas, não aparentam ter a mais vaga ideia do que seja conviver com eles.

O problema é que pessoas como essas não vivem em cativeiro na França. Estão soltas por aí. A primeira terapeuta à qual levei meu filho tinha um consultório chique no Leblon (zona sul do Rio), com divã tradicional e tudo. Durante mais de um ano, ela se recusou a dar um diagnóstico, pois dizia que essa era uma questão restrita ao relacionamento com o cliente, no caso uma criança pouco verbal de três anos de idade. Afirmava que seu papel era estimular o inconsciente do meu filho a aflorar. E que o autismo era um tipo de psicose (absurdo sepultado nos anos 1970, quando ela devia estar na faculdade). De quem era a culpa de tudo? Dos pais, que brigavam muito.

No seu maniqueísmo, o filme de Robert acompanha dois adolescentes: Julien, que não avançou por ter ficado submetido à psicanálise, e Guillaume, que progrediu por ser tratado com os métodos comportamentais, principalmente o programa de exercícios ABA (Applied Behavior Analysis, ou análise comportamental aplicada). Ao reduzir assim um universo tão amplo (não há um autista igual a outro), a diretora comete um grande erro e faz propaganda enganosa.

A linha comportamentalista predomina nos países anglo-saxões, sobretudo nos Estados Unidos. Consiste numa série de práticas visando à integração social a partir da repetição, do reforço das convenções, da orientação sobre o que se pode ou não se pode fazer. Por um lado, o trabalho garante, se bem-sucedido, a adequação às regras da convivência. Por outro lado, parte do princípio de que existem cânones a ser cumpridos e que cada pessoa deve se adequar a eles, em vez de ter suas características peculiares compreendidas.

Voltando a um exemplo pessoal, a segunda terapeuta de meu filho era comportamentalista. A substituição foi propositalmente radical. Ela atendia numa clínica de Botafogo (também zona sul, mas com um PIB bem inferior ao do Leblon) e estava sempre elegante, o que levou minha irmã a chamá-la de “Barbie terapeuta”. Não se sujava, embora trabalhasse com crianças, porque ficava sempre numa mesa diante delas, fiel às regras do programa ABA. No caso de meu filho, queria, por exemplo, ensiná-lo o que era amarelo, azul, vermelho, mas na abstração, sem casar as cores com nada que fizesse parte do cotidiano dele. Quando a paciência se esgotava, ele dizia “cocô” e se fechava no banheiro, fugindo da chatice inútil.

VOZES

Sem querer também incorrer no erro do reducionismo, os extremos de que se falou até aqui refletem, a meu ver, o seguinte problema: como um dos pilares do autismo é a deficiência na comunicação, os discursos produzidos são, em sua quase totalidade, sobre a síndrome e sobre as pessoas afetadas por ela. Há disputas pelas representações do autismo: catastrofismo x esperança; educação especial x inserção escolar; psicanálise x comportamentalismo… É um grande alento quando surgem vozes, por assim dizer, de dentro do autismo.

A que mais me impressionou em tempos recentes foi a de Carly Fleischmann, uma adolescente canadense que, após viver 11 anos fechada em si mesma, abriu-se para o mundo a partir do computador. Passou a escrever como ninguém supunha que ela pudesse. E começou, digitando, a falar de sua condição e a responder sobre autismo a quem a consulta. Na última vez em que vi, sua página no Face- book estava com 69.561 “curti”. No site brasileiro em que descobri a história, o texto sobre Carly tem 113 mil compartilhamentos.

É enriquecedor ver o curta-metragem “Carly’s Cafe”, feito a partir dos relatos dela. A câmera filma do ponto de vista de Carly, mostrando como uma pessoa com autismo é sensível a sons e outros estímulos, e como ela se frustra por não conseguir expressar o que quer.

O inglês Mark Haddon não é autista, mas escreveu em 2006 um belíssimo romance, narrado por um adolescente que tem a síndrome. “O Estranho Caso do Cachorro Morto” [trad. Luiz Antonio Aguiar, Record, 288 págs., R$ 37,90] reproduz, inclusive com mapas e desenhos, como funciona a cabeça de um autista obcecado por cálculos e que segue seu raciocínio lógico para tentar descobrir quem matou um cachorro, fato do qual é suspeito. Dos muitos títulos dessa minibiblioteca temática que acabei formando, esse é um dos meus favoritos.

Para quem vive próximo do tema, o caso paradigmático de sucesso é o da norte-americana Temple Grandin.

Hoje uma senhora de 65 anos, Grandin foi uma criança condenada por médicos a passar a vida internada. Trilhou outro caminho graças, principalmente, à sua paixão por animais. Inventou o método menos sofrido –e largamente mais utilizado– de abate do gado, que não percebe que vai morrer. Foi tema do belo ensaio que dá nome ao livro “Um Antropólogo em Marte” [trad. Bernardo Carvalho, Companhia das Letras, 352 págs., R$ 54], do médico e escritor inglês Oliver Sacks –a expressão do título é como Grandin define um autista. Escreveu em 1986, com o auxílio da jornalista Margaret M. Scariano, a autobiografia “Uma Menina Estranha” [trad. Sergio Flaksman, Companhia das Letras, 200 págs., esgotado]. Foi tema do filme “Temple Grandin” (2010), com Claire Danes em seu papel. E palestras suas estão disponíveis no YouTube.

Aprendi lendo Grandin que mesmo os autistas pouco ou nada verbais entendem praticamente tudo o que é dito à sua volta. Passei a ser mais cuidadoso e a respeitar mais os longos silêncios do meu filho.

O geólogo baiano Argemiro Garcia é uma referência no Brasil entre pais de pessoas com autismo. Coordena a maior lista de discussão sobre o tema na internet e, à frente da Afaga (Associação de Familiares e Amigos da Gente Autista), participa de campanhas importantes. Em um texto inicialmente dirigido às mães, “Bem-vinda à Montanha-russa”, ele afirma que é dispensável perguntar se nossos filhos serão como Temple Grandin. “Eu jamais vou conseguir ser como ela!”, ressalta, antes de tocar num ponto fundamental para quem tem um filho com autismo: “Duvido que ele venha a se tornar um canalha. Isto, nunca ouvi falar que um autista fosse”. Infelizmente, por não saberem mentir e manipular, ficam mais vulneráveis a canalhas mentirosos e manipuladores.

Acho que é por isso que nos indignamos tanto quando ouvimos a palavra “autista” usada como ofensa –substituindo, por exemplo, “mongoloide” e “retardado mental”, hoje não tão ouvidas, felizmente. Esse uso é muito comum entre políticos. E ninguém vai querer o diagnóstico do próprio filho na boca de um Renan Calheiros, de um Eduardo Cunha. Mas a estupidez é democrática: o adjetivo também já foi endereçado pelo intelectual Emir Sader a Ana de Hollanda, ex-ministra da Cultura.

Por mais santa que seja a nossa ira, não somos policiais da língua. Temos que moderar nossa caça às bruxas. Escrevi várias vezes aqui a palavra “autista”. Mas ela vem sendo banida dos discursos de pais e profissionais, que a consideram estigmatizante por transformar uma característica em algo que define totalmente a pessoa, nublando sua subjetividade. Pois imaginem se, num texto de 17 mil toques, eu tivesse de escrever sempre “pessoa com autismo”. Prefiro mandar às favas o que vejo como preciosismo.

O politicamente correto também quer nos forçar a dizer que é muito legal ter filhos com determinados problemas, como se isto nos tornasse seres humanos melhores. Quando vejo programas de TV sobre a família Kirton (um casal americano, John e Robin, e seus seis filhos autistas), fico me perguntando que tipo de fanatismo religioso impede dois adultos de parar de procriar se está claro que a combinação de seus genes é problemática.

“Quando se tem filhos deficientes, é preciso suportar ouvir muita bobagem”, escreve o francês Jean-Louis Fournier, pai de dois meninos com problemas genéticos (não autistas) em “Aonde a Gente Vai, Papai?” [trad. Marcelo Jacques de Moraes, Intrínseca, 160 págs., R$ 9,90], um livrinho que concilia, sem censuras, amor e humor. “Há também os que dizem: ‘O filho deficiente é um presente dos Céus’. E não dizem isso como piada. Raramente são pessoas que têm filhos deficientes. Quando se recebe esse presente, dá vontade de dizer aos Céus: ‘Ah, não precisava…’.”

Mesmo em forma de sarcasmo, é possível manter a alegria quando se tem algo como o autismo tão perto, tão dentro de você. Se não for assim, é impossível suportar. Mas não subestimem nossa ira. Somos mais incontroláveis do que nossos filhos.

 

 

Conheça Breno Viola, o judoca que tem síndrome de Down e virou ator de cinema

27/02/2013 08h06 • Taiz Dering / via UOL

Hoje o Virgula Inacreditável vai contar uma história “ina” no melhor sentido da palavra. Nada de coisas bizarras, esquisitas ou assustadoras. O protagonista desta matéria é o Breno Viola, um dos atores principais do filme Colegas, que conta a trajetória de três jovens com síndrome de Down embarcando numa viagem em busca de seus sonhos.

Breno tem 31 anos e, além de ator, é faixa preta em judô desde 2002, ou melhor, é o primeiro judoca com Down a conseguir esse feito nas Américas! Ele já participou das Olimpíadas para Deficientes Intelectuais – mundial que aconteceu na Grécia em 2011 –, e terminou em 4º lugar, além de ser bicampeão mundial em sua categoria.

“Comecei a fazer judô aos 3 anos. Sempre tive meu irmão mais velho como grande inspiração. Ele também é praticante do esporte. Sou o primeiro down das Américas a conquistar a faixa preta e nunca tive moleza. Na academia, se é para tomar esporro, eu tomo, como qualquer aluno. Sempre fui tratado de igual para igual”, conta em entrevista exclusiva.

Ele explica que nunca teve regalias dentro do esporte e sofreu preconceito uma única vez. “O motorista do ônibus me chamou de doente. Fiquei muito triste na hora, desci, anotei a placa e o número do ônibus e fiz a reclamação. Infelizmente, não deu em nada, mas foi a única vez que sofri preconceito”, lembra, tristonho.

O judoca diz que estudou em escolas comuns até a 8ª série, depois, “quando os estudos começaram a ficar mais puxados”, passou para uma especial.

Ainda dentro do esporte, Breno fez um curso de arbitragem, fator necessário para alcançar o terceiro dan (uma das graduações do judô), e se encantou com a nova possibilidade. Ele pretende se tornar juiz num futuro não muito distante.

Sobre o cinema, ele diz que foi algo quase inesperado em sua vida. Breno já tinha feito teatro (inclusive um musical com Beto Silveira) e uma participação na novela Páginas da Vida da Rede Globo – que retratou o caso da adoção de uma menina com Down -, quando foi escolhido pelo diretor Marcelo Galvão para fazer um teste para o filme Colegas.

“O Marcelo gosta bastante de lutas e me viu em entrevista no Canal Combate, aí foi atrás do meu contato e pediu para eu fazer um teste. Acabou que fui escolhido e meu papel é inspirado no tio dele, que também era down e foi a grande motivação para que ele fizesse o filme”, conta Breno.

No momento em que fala sobre a relação com o diretor, Breno se emociona. Ele, que perdeu o pai em 2011, tem no – agora – amigo o espelho para a figura paterna. “É muito gratificante participar de um filme desses, ter uma equipe tão educada, que trata a gente com tanto amor. Eles viraram minha terceira família. O Marcelo é como um pai para mim, sempre presente nos bons e maus momentos”, diz.

Entre as muitas atividades que desempenha, ele ainda arranja tempo para militar em prol de quem tem síndrome de Down. Ele ajudou a fundar o site Movimento Down e já viajou para vários lugares fazendo palestras e contando sua história. Em março deste ano, inclusive, vai para os EUA contar sua trajetória em um evento da ONU. “Também falo sobre os direitos das pessoas com deficiência, explico como é a síndrome de Down entre outros assuntos”, explica.

Como ninguém é de ferro, claro que sobra um tempo para “as namoradas”. Brincalhão, Breno diz estar vivendo um relacionamento aberto e aproveitando o momento de fama. “Tenho um pacto com a minha namorada, todas as famosas que eu conhecer, posso dar um selinho”, explica.

E o “trato” está sendo levado a sério. A primeira agraciada com um beijo do ator foi Nanda Costa (protagonista da principal novela da TV brasileira atualmente). Os dois estavam participando da gravação do Altas Horas, de Serginho Groisman, quando ele “fisgou” a morena, tudo na base da brincadeira, é claro.

“Também sou fã da Juliana Paes e Sabrina Sato, mas a Juliana Didone (que está no elenco de Colegas) é minha musa”, derrete-se. Breno conta que também admira o trabalho de atores como Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Bruno Gagliasso e Rodrigo Lombardi.

Sobre o futuro ele é enfático: “Quero continuar no judô e fazer muitos e muitos outros filmes”. Com toda essa força de vontade e empenho, ninguém duvida que ele vai alcançar tudo o que deseja, não é mesmo?

 

Breno Viola                                                                                                       Breno Viola   judoca e ator

Contas de água em braile já chegam à casa de usuários com deficiência visual em São Paulo

José Bonato
Do UOL, em Ribeirão Preto (SP)

Portadores de deficiência visual de 363 municípios do Estado de São Paulo atendidos pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) já podem receber a conta de água em código braile a partir deste mês. A cobrança será entregue pelos Correios junto com a conta convencional. Para receber o benefício, os portadores de deficiência visual devem ser os titulares da ligação de água.

O programa foi criado em outubro. A Sabesp tem feito contato com associações de deficientes visuais para dar informações sobre o serviço e receber adesões, como é o caso da Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos, da cidade de Franca (400 km de São Paulo), em cuja região a empresa atende a outros 29 municípios.

“É uma iniciativa muito importante, que valoriza a inclusão social. Fiquei muito feliz”, disse Edna Doca Lopes, 80, presidente da entidade francana, que possui cerca de 300 pessoas cadastradas.

A conta em braile permite apenas que os cegos saibam o valor cobrado pela água. Para fazer o pagamento, é necessário utilizar a conta normal. “Apesar do gasto de papel ser maior, ajuda na conferência do valor que vem sendo debitado na minha conta corrente para o pagamento de água”, afirmou Edna.

Sirlene Caluz, 48, analista de gestão da superintendência regional da Sabesp de Franca, disse que os portadores de deficiência visual não terão nenhum gasto adicional pelo serviço. Ela afirmou que não é possível usar a conta em braile para pagamento por incompatibilidade com o sistema de informática dos bancos e das lotéricas.

A adesão ao programa, segundo Sirlene, ainda é pequena, mas ela disse acreditar que haverá um aumento gradual. “Muitos cegos moram com outras pessoas e acabam não tendo interesse. Mas o programa é muito positivo para aqueles que vivem sozinhos e para a conferência do valor.”

Serviço

Para se cadastrar no programa e receber a conta em braile, os deficientes devem ligar para 088-055-0195. É obrigatório informar o registro geral do imóvel em que vivem. O programa é válido para ligações de água residencial, comercial e industrial.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/11/08/contas-de-agua-em-braile-ja-chegam-a-casa-de-usuarios-com-deficiencia-visual-em-sao-paulo.htm

Banco do Brasil passa a financiar aparelhos para pessoas com deficiência

Da Agência Brasil

Aparelhos auditivos, órteses, próteses e elevadores adaptados para domicílios serão financiados pela linha BB Crédito Acessibilidade. Segundo informou nesta quarta-feira (31) o Banco do Brasil (BB), a inclusão desses produtos “tem por objetivo viabilizar de forma plena o acesso das pessoas com deficiência aos equipamentos e serviços de tecnologia assistiva”.

De acordo com o banco, a lista de bens financiáveis está de acordo com portaria publicada no Diário Oficial da União, no último dia 25.

A linha BB Crédito Acessibilidade cobra taxa de juros de 0,57% ao mês para quem recebe até cinco salários mínimos ou 0,64% mensais para aqueles que têm renda de cinco a 10 salários mínimos.

O financiamento pode ser de até 100% do valor do bem ou serviço, com limite de R$ 30 mil por pessoa e prestações debitadas diretamente na conta corrente. O prazo é de quatro a 60 meses e a primeira prestação pode ser paga em até 59 dias

Fonte: http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/10/31/banco-do-brasil-passa-a-financiar-aparelhos-para-pessoas-com-deficiencia.jhtm

Menino com Down é garoto propaganda de gigante varejista

Uol – 21/09/2012

Estar de alguma maneira conectada com as questões sociais não é mais uma questão de tendência para as empresas, mas sim de absoluta necessidade. A mãe de um garoto com Síndrome de Down encaminhou para o gigante varejista Marks & Spencer uma reclamação sobre a falta de diversidade nas propagandas que anunciam roupas e outros produtos para crianças na TV, revistas e outdoors. A empresa aderiu à ideia e resolveu contratar o garoto como modelo para a nova campanha da marca.

“Lembro-me de ver todos aqueles anúncios na TV com famílias e crianças e não havia ninguém diferente, todo mundo era perfeito. Tudo isso só aumentou meu sentimento de isolamento e medo”, disse Caroline Branco, da cidade de Bath.

A Marks & Spencer é a maior rede britânica de lojas de departamento. A cadeia tem mais de 700 lojas espalhadas pela Grã-Bretanha, além de ter presença em outros 40 países. As campanhas ainda não foram criadas.

 

Roupa especial ajuda criança com deficiência

17/09/2012

AGUIRRE TALENTO
DE BELÉM

Uma roupa especial em desenvolvimento na UEPA (Universidade do Estado do Pará) vem ajudando crianças com deficiência neuromotora a aprender a se movimentar e a ter uma postura correta.

Esse tipo de roupa já é fabricado no exterior, mas a comercialização no Brasil esbarra no preço: R$ 2.000.

O diferencial da universidade paraense é usar material de baixo custo para produzi-la a R$ 600. Nesse valor estará embutido o material (laicra e anéis de metal), a mão de obra e o pagamento a um profissional que fará os ajustes ao corpo do usuário.

Os primeiros modelos devem ficar prontos ainda neste ano e serão direcionados a crianças de até oito anos. A produção comercial, porém, só deve começar em 2013.
A universidade negocia com uma empresa paulista interessada no negócio.

A roupa está sendo testada em crianças com deficiência neuromotora da Unidade de Referência Especial em Reabilitação Infantil, em Belém.

Uma delas é Rafael, 2, que tem paralisia cerebral e, por isso, apresenta dificuldades para se movimentar e manter a postura correta. Com a roupa, ele tem postura mais firme e, auxiliado por fisioterapeutas, caminha com mais facilidade.

O projeto é da pesquisadora Larissa Prazeres e faz parte do Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta), da universidade. A instituição recebeu R$ 300 mil do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para desenvolver essa e outras pesquisas de acessibilidade.

A roupa biocinética, como foi batizada, possui anéis de metal localizados nas regiões de alguns músculos, como joelho, tronco e quadril. Ela fica justa no corpo e, com isso, corrige a postura. Os anéis metálicos suprem a força que o músculo não tem. Assim, ajudam a executar movimentos e passam ao cérebro informações neurossensoriais.

“É como um computador: vai mandando mensagens corretas para o cérebro, o corpo se ajusta, e o cérebro deleta as mensagens incorretas”, explica Ana Irene de Oliveira, coordenadora do Nedeta.

Com o tempo, o cérebro vai assimilando os movimentos corretos para que a roupa não seja mais necessária. A ideia é que ela seja usada diariamente, num trabalho conjunto ao do fisioterapia.

Segundo Leonice Carneiro, fisioterapeuta do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, em Goiás, o tratamento é indicado para crianças sem deformidades fixas, como torções ósseas ou alterações musculares (músculo encurtado ou com deformidade articular).

“Quanto mais nova ela começa a usar a roupa, maior a eficácia”, diz Carneiro.